Vitória na Ponta dos Pés

05/08/2016 • Carla Sugere, Destaque

Nascida em Serra Leoa, órfã de pai e mãe, portadora de vitiligo e tratada num orfanato como número 27. Entenda: as crianças iam de 1 a 27, sendo a primeira a mais querida e a última a menos – menos alimentada e menos vestida. Michaela e a 26, sua amiga Mabinty, eram hostilizadas: ela pela doença que descoloria a pele negra e a outra por ser canhota.

Nesse cenário de impossibilidades tudo começou a mudar quando a menina encontrou uma revista velha. Na capa, uma mulher linda vestia tutu rosa e calçava sapatilhas de ponta. Michaela não fazia ideia do que era balé, mas enxergou beleza e esperança e elegeu, naquele momento, seu propósito de vida.

Quando o orfanato foi bombardeado e as crianças levadas a um campo de refugiados, a foto seguiu com ela. E também seu propósito. Mais tarde, a amiga Mabinty foi adotada pela americana Elaine DePrince e ganhou um novo nome: Mia. Ao saber que provavelmente a menina com vitiligo jamais teria uma família, Elaine também a acolheu. O nome Michaela foi dada pelo novo núcleo familiar, ela também se chamava Mabinty.

Os pais americanos reconheceram o interesse da garota para a dança – ela chegou a assistir 150 vezes ao vídeo do espetáculo Quebra-Nozes. Michaela frequentou a Rock School for Dance Education, na Filadélfia, e a Jacqueline Kennedy Onassis School, em Nova Iorque. Com talento e determinação, destacou-se, sendo retratada no documentário First Position, que a alçou à posição de convidada especial do Joburg Ballet, na África do Sul, e a uma aparição no programa Dancing With The Stars. Aos 17 anos já dançava profissionalmente na Harlem Professional Company.

Aos 18 anos entrou para a Companhia Nacional de Balé da Holanda e hoje, aos 21, é uma das titulares. No livro Hope in a Ballet Shoe, traduzido para vários idiomas, relata sua trajetória.

Tudo isso me faz pensar em uma das frases célebres de Martin Luther King: “Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira”. Para dar sentido à vida é preciso se perguntar, de tempos em tempos, que sementes plantar e onde.

Assista ao TEDx de Michaela DePrince, com legendas em português

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