Precisamos Falar Sobre o Ano Novo

27/12/2016 • Destaque, Estilo de Vida

“O ano de 2016 já vai tarde”, se vê nas redes sociais. A corrente dos bem-humorados deseja que por nada neste mundo seja lançado o 2016S no lugar de 2017. Será que esse sobrepeso de expectativas fará do novo ano um tempo melhor? As chances são remotas.

Em termos de macro ambientes – economia e política, para citar os mais relevantes hoje no Brasil – é tempo de transição. O País é uma crisálida em processo lento e doloroso de evolução. Está feio, parece inerte, quase ninguém vislumbra borboleta saindo desse casulo. Contudo, retornar ao estado de lagarta não é opção plausível. Faça as contas: ser pupa, nesse caso, é evolução.

O que fazer? Cada um a sua parte, tornando a política uma atividade pessoal e não apenas dos políticos profissionais. Na Grécia antiga, política era sinônimo de cidadania. Nas polis, ou cidades, pregava-se o bem comum acima dos interesses individuais. Para um ano melhor, mais cidadãos nas ruas, ou seja, mais educação, mais respeito e mais tolerância. E, obviamente, mais posicionamento articulado, porém pacífico, diante das questões relevantes da nação.

No âmbito individual, cada ano é resultado do que se decidiu nos anos anteriores e do que se fez com os 365 dias oferecidos. E, claro, do imponderável – aquilo que ocorreu a despeito de nossos votos mais positivos por um “Feliz Ano Novo”. Cada um tem a sua própria carga do imponderável, o essencial é não permitir que ele ocupe todo o espaço da existência.

O que fazer? Ao menos uma vez substituir o mal batizado “projeto de vida para o ano novo” –repleto de desejos de consumo e enquadramento em padrões estéticos – por momentos de reflexões profundas acerca do que realmente importa: O que eu quero fazer? Onde eu quero viver? Com quem quero viver? São as perguntas da identidade humana.

É ano novo, já sabemos que para a festa haverá a roupa nova e para a ceia, o prato raro. Haverá também o espumante à meia-noite, que muita gente sequer vai beber. Então, façamos um trato: como 2017 não passa de uma divisão do tempo culturalmente organizada, assumamos o controle dos nossos dias, tratando-os com mais gentileza e gratidão.

Para um ano novo, desejo a todos menos expectativas, mais esperança e, claro, felicidade.

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2 Responses to Precisamos Falar Sobre o Ano Novo

  1. Ina disse:

    Lindo e reflexivo texto!!!
    Mais consciência, mais autoresponsabilidade, mais amorosidade consigo e com o próximo…
    Te desejo um 2017 esplendoroso e cheio de felicidade!!!
    Bju

  2. Weslley Dias disse:

    Exatamente o que eu penso, que texto sensacional. Pequeno, porém representa exatamente o que está acontecendo e sempre aconteceu nesse período do ano. Ganhou um seguidor!

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