Prazer, Alegria, Felicidade: Qual é a Diferença?

18/08/2016 • Destaque, Estilo de Vida, Psicologia Positiva

A cultura ocidental acabou colocando a felicidade em uma posição desconfortável: na melhor das hipóteses aparece como algo fugaz, na pior como inalcançável ou inexistente. A música mostra muito bem o que está instalado no inconsciente coletivo – basta lembrar do clássico “Tristeza não tem fim, felicidade sim”.

A partir do momento que admitimos que a infelicidade existe estamos aceitando que a felicidade é um fato, já que é impossível haver a antítese de algo inexistente.

Para compreender o quanto esta percepção é equivocada, costumo lançar uma questão: Você acredita que infelicidade existe? A resposta tem sido afirmativa em 100% das vezes. A partir do momento que admitimos que a infelicidade existe estamos aceitando que a felicidade é um fato, já que é impossível haver a antítese de algo inexistente. Se posso me sentir infeliz por longo tempo, habita em mim a possibilidade de também ser feliz.

Compreender o que significa felicidade é um passo essencial ao flerte e, quem sabe, casamento com esse estado tão desejado. Mas, caminhemos passo a passo, começando por entender o prazer, esse sim nosso conhecido de longa data. De curta duração, está necessariamente ligado a um gatilho externo. Para que dure, é necessário renovar o estímulo. E por esse caráter, possui duas faces: pode ser bom ou nefasto, basta ver as escolhas destrutivas e as compulsões.

A alegria é uma das cinco emoções essenciais – as outras são medo, amor, raiva e tristeza. Trata-se de uma reação mental e física relativa a um fato ou acontecimento, também com duração limitada. É mais intensa e mais profunda que um prazer. Mas, ainda assim é fugaz. Enquanto sou capaz de provocar em mim um prazer, não necessariamente obtenho êxito quando busco a alegria.

A felicidade é um estado durável, que independe de fatores externos. É resultado de vontade, esforço e trabalho pessoal. É feita de prazeres moderados e escolhidos. É um estado de sabedoria, e sabedoria tem como alicerce a liberdade interior, que nos permite manter uma relação positiva com a vida “apesar de”. Como lindamente disse Santo Agostinho: “Felicidade é seguir desejando aquilo que se possui”.

Conta o filósofo Frédéric Lenoir, em seu livro “La Puissance de La Joie”, que um homem idoso estava na entrada de uma cidade. Um estrangeiro aproximou-se e disse: “Não conheço este lugar. Como são as pessoas que vivem aqui?”. “Como eram os habitantes das terras de onde vem?”, respondeu o velho homem. “Egoístas e mesquinhos”, disse o forasteiro. “Aqui também são assim”, conclui o guardião. Mais tarde, outro estrangeiro se aproximou e dirigiu-lhe a mesma pergunta. Ao ser indagado sobre as pessoas de sua terra natal, respondeu: “Tinha tantos amigos que foi difícil partir”. “Aqui também você fará muitos amigos”, encerrou o velho homem.

Cada um carrega seu próprio universo, fazendo com que o mundo que vemos seja o mundo que percebemos. Uma pessoa que encontra a felicidade é capaz de ser feliz em qualquer lugar ou circunstância. Bom mesmo é começar aqui, agora, onde estamos.

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2 Responses to Prazer, Alegria, Felicidade: Qual é a Diferença?

  1. Ariadni disse:

    ” Uma pessoa é capaz de se adaptar e viver em qualquer lugar sob qualquer circunstância “, dizia seu pai.
    A felicidade está em desapegarmos. Quando concluirmos que não precisamos de quase nada para viver e ser feliz, será mágico! bjkas

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