Ela Ensina a Abraçar com Palavras

02/08/2016 • Destaque, Gente

Ninguém mais se comunica. Certo? Errado. E a Ana Holanda é prova disso. É só a editora da revista Vida Simples anunciar um curso de escrita afetuosa (isso mesmo, você não leu errado), que em poucos dias se forma uma turma – turma essa de gente que já sabe escrever, mas está em busca de comungar, por em comum, dividir com os outros sua forma emocionada de ver o mundo. O Feliciência bateu um papo com a Ana, vem saber mais.

“É necessário mais coragem para escrever do que falar, porque a escrita não depende só de ti. Nasce no momento em que será lida”, afirmou Fabrício Carpinejar. Como começa de fato a construção da ponte entre escritor e leitor, tão presente na revista Vida Simples?

Eu acredito que a construção começa na concepção da ideia, mas o ponto mais importante é como você escreve, a forma como constrói o texto, conta a história, as palavras que usa. Digo isso porque você pode escrever sobre um tema extremamente relevante (como ter melhores conversas, por exemplo) ou sobre um assunto quase universal (gratidão) e isso se tornar extremamente maçante de ler – se é que o leitor vai terminar de ler. A linguagem costuma ser dura, fria, não existe envolvimento de quem escreve. É como uma reprodução, uma cópia mal feita. Já o texto envolvente, aquele que conversa verdadeiramente com o leitor é, para mim, o visceral. Quem escreve se envolve com o assunto, não tem receio de parecer piegas, de se emocionar, de se mostrar vulnerável, humano. Você pode escrever um texto de algo simples e corriqueiro como a conversa com um filho, com o taxista, o dono da banca da esquina. E, nesse texto, a narrativa, por si só, vai trazer belas reflexões sobre amor, amizade, cumplicidade, saudade. A ponte só existe de fato quando existe envolvimento verdadeiro de quem a faz. Porque, dessa maneira, o leitor percebe que existe ali alguém como ele, uma pessoa, com vontades, desejos, sonhos (e, principalmente que sente e não é apenas uma máquina de reproduzir ideias e conceitos). É nisso que acredito cada vez mais.

“Você pode escrever um texto de algo simples e corriqueiro como a conversa com um filho, com o taxista, o dono da banca da esquina. E, nesse texto, a narrativa, por si só, vai trazer belas reflexões sobre amor, amizade, cumplicidade, saudade.”

Você acredita que a escrita é capaz de nos ‘re-sensibilizar’? Acredita que ela possa promover uma revolução positiva?

Acredito muito nisso. Para muita gente, a escrita é uma ferramenta de expressão (mais do que falar, por exemplo). Mas, claro, para isso é preciso que a pessoa perceba que a escrita – e isso vale para qualquer tipo de escrita, de um texto complexo, uma reportagem, um poema à um email ou bilhete – é um reflexo de quem somos. Senão, estaremos apenas reproduzindo modelos. Você vai escrever como um gerente, um diretor, um médico. E não como uma pessoa. Existe uma diferença essencial nisso. Estamos esquecendo o básico: somos pessoas escrevendo para pessoas. Precisamos parar de interpretar papéis, corporativos em especial. E voltar a nos encontrar como gente. Isso sim é uma grande revolução.

No Minha Mãe Fazia, no Facebook, você fala sobre comida e afeto. Em algum ponto você percebe similaridades entre escrever e cozinhar?

Eu percebo uma similaridade entre escrever e qualquer outra coisa. Sou perdidamente apaixonada pela escrita. Não tenho mais salvação (ainda bem!). Na escrita, assim como em qualquer preparo na cozinha, às vezes queremos um resultado rápido, às vezes precisamos de tempo (para escrever, amadurecer a ideia ou para apurar o molho do cozido). E, principalmente, a boa comida é visceral, é reflexo da nossa alma, tem a ver como nosso estado emocional e na maneira como estamos no mundo. Com a escrita é igualzinho.

Informações sobre os Próximos Cursos com a Ana
Como Se Encontrar na Escrita
Turma com aulas em 15, 17, 29 e 31.08 – São Paulo
Saiba mais aqui.
Simples: Escrita Criativa e Afetuosa
17.09 – Porto Alegre
08.10 – Recife
Saiba mais aqui

Foto: Divulgação

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4 Responses to Ela Ensina a Abraçar com Palavras

  1. Mariana Bellucci disse:

    Fiz o Curso sábado passado… E assim cheguei em casa – grata! Escrevi sobre Ana. ❤️

    Hoje conheci Ana.
    Não mais uma Ana.
    A Ana!
    Foi pessoalmente – já éramos quase íntimas pelas redes sociais (por pura curiosidade e insistência de minha parte – assumo!).

    Ana é linda. Fala gostoso. Ri gostoso. Debocha gostoso. Se emociona gostoso. Abraça gostoso. Imagino que viva gostoso. Isso… Ana vive na plenitude da palavra.

    Ana é o tipo de pessoa que pode te assustar se não estiver preparado para a vida. E, mesmo preparado, conhecer Ana pode ser perigoso… Nos melhores dos sentidos. Ana te faz olhar. Reparar. Ana te faz viver outra vida que não a automática que você está tão habituado. Ana te faz sentir.

    Nesse processo, Ana te faz entender que a zona de conforto é mesmo confortável – mas a vida não. A vida pede. Chama. Fala. Mostra. Ri e chora de e para nós. E o que você faz com isso… É de sua total responsabilidade.

    E aí Ana me fez entender que jogar tudo isso fora, além de ser covardia, é inútil… A vida sempre vai gritar (bem alto) com você: repare em mim! Me perceba. Me sinta. E me bote no papel!

    Hoje reparei que tenho muito o que reparar – em mim – para melhorar – em tudo!

    Vou tentar. Vou estudar. Me enfiar na Coragem de Ser Imperfeito e seguir em frente.

    Ana é terapia fora do divã.
    E se tem #umagradecimentopordia o meu de hoje foi poder conhecê-la!

    Com todo meu afeto…
    Para você, Ana Holanda

    ?

  2. jacqueline disse:

    Mariana, amei.

  3. Anne Caroline disse:

    Eu não fiz o curso, mas a pouco tempo descobri algo que me parece convergente ao tema da Ana (A escrita Terapêutica)… Eu soube através do facebook de um colega, da Academia Ipê, um enfermeiro de Portugal, Ricardo Fonseca. Acho que trazemos para o plano consciente (na escrita) aquilo que das emoções pauta nossos comandos cerebrais; creio ser esse o foco da Ana, um movimento terapêutico que ela sabiamente consegue fazer o outro reconhecer necessário em si. Amo escrever, desabafava no “diário”, ou nas agendas, na adolescência; hoje, no campo do ensino e da poética, exponho ideias, percepções e demarco meu olhar sobre a vida, a saúde, a plenitude. Fiquei curiosa de conhecer a Ana… Espero que surja a possibilidade! Mas, mesmo se a conhecer, já estou fã da Ana, co o relato da Mariana!

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